Sexo pago, Religião e Política #decrim

Ontem, sexta-feira, dia 16 de dezembro, realizamos na CasaNem, em parceria com o Mobiliza IPPUR, o debate sobre Estado, Religião e Política no Brasil contemporâneo. Entre os convidados, Zwinglio Mota Dias, pastor emérito da Igreja Presbiteriana da Vila Operária da Penha, Rio de Janeiro, e professor do curso de Ciências da  Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora, e Indianara Siqueira, transvestigeneres, puta, vereadora suplente na Camara Municipal do Rio de Janeiro e fundadora da CasaNem, além dos alunos do curso de Gestão Pública (GPDES) do IPPUR-UFRJ e da Pós-Gradução do IPPUR, bolsistas e pesquisadores do Observatório da Prostituição, professores do IPPUR, da Universidade de Santa Barbara e da Universidade de New Jersey, e ativistas do movimento negro brasileiro e palestino.

América Latina, como o nome já diz, é oficialmente católica, segundo a constituição de 13 dos 20 países da região que invocam o nome de Deus ou que declaram ter a Igreja como Estado. Luta intestina para muitos, tanto de outras confissões religiosas quanto de outras interpretações políticas, a luta pela laicidade da política no Brasil e em outros países da América Latina surge como modo de garantir direitos humanos e fundamentais, visto que face à chamada “bancada evangélica”, ou Frente Parlamentar Evangélica, tudo o que se refere ao humano, ao mundano, é combatido pelo “povo de Deus” – os únicos que, por merecimento, estariam acima do bem e do mal e que, portanto, podem pecar à vontade ao sul do Equador.

Defensores do pecado e por conseguinte usurpadores do direito ao pecado, os deputados da Frente Parlamentar Evangélica são hoje, no Brasil, os principais agentes do retrocesso no legislativo, já, como um todo, conservador. E pelas suas condutas, contra os direitos humanos e contra a justiça social, em vez de evangélicos deveriam ser chamados de fundamentalistas, interpretes literais da palavra d’Ele. Mas não foi Ele quem defendeu as prostitutas e o amor ao próximo?

No animado debate, iniciado às 14:30 e terminado às 18h (com a presença de todos na Casa desde 13:30!), delineamos com mais cautela esse mundo dito evangélico instalado no Congresso Nacional: um mundo utilitarista, para os fiéis, e fundamentalista, para os eleitores. Um mundo que corrói a política, que compra votos e promete milagres, à custa do sofrimento da legião de brasileiros que frequentam outros mundos.

Aos interessados em pensar a descriminalização da prostituição no Brasil, o aprofundamento desse debate é tarefa urgente e incontornável. Por isso, #decrim neles!

2 ideias sobre “Sexo pago, Religião e Política #decrim

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